sexta-feira, 13 de junho de 2014

A melhor das criaturas

Ainda não acredito que ela veio me falar que se achava a “pior das criaturas”, a princípio contrariei, destacando seu talento reflexivo, criativo, intuitivo. A sua doçura como a seriguela, tirada dos fundos do quintal na casa da minha avó e saboreadas no fim de uma tarde de quinta-feira. Levantei todos os pontos que qualquer pessoa que a conhece e que corroboram contra essa infame frase dita por ela.
Mas o enganado era eu, ela se referia à sua estética física. Em minha defesa, argumento: não tem como isso passar pela cabeça de alguém lúcido, alguém com suas faculdades mentais em dia. Pois ela é o exemplo do que Deus faz quando quer homenagear a beleza feminina.
A cada suspiro que ela dá para manter a existência um homem no mundo se apaixona, como nem todos têm a sorte de conhecê-la estes são levados à paixão por aquela de quem se aproxima. Enquanto os próximos a ela oferecem seus próprios suspiros de vida, como forma de tributo a essa deusa.
Todas as suas armas não são escondidas por gigantescas partes da anatomia, estas são usadas por quem não têm muito que usar, e só atrai famintos que não sabem saborear uma mulher como ela merece. Esta é armada com sutilezas, peças de encaixe perfeito, as especiarias que levaram os europeus às índias.
As multidões correm ao supermercado para vê-la fazer compras, enquanto os produtos desfilam nas prateleiras, as rodas do carrinho deslizam pelo piso de mortais. Apesar de tudo, é mais um dia, é mais um momento do cotidiano, que faz a vida ter sentido. Por isso, que desejei, por diversas vezes, levar minha cadeira de praia e sentar, ali no meio do corredor, enquanto ela passeia entre as prateleiras, afinal, não é todo dia que se vê um quadro da vida real ser pintado.



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